4.1.14

Cusco: o que fazer no primeiro dia?

A coisa mais importante a esclarecer é que os 3400 metros acima do nível do mar no qual Cusco se encontra não devem ser menosprezados. Em alturas muito elevadas ocorre uma diminuição da oxigenação do sangue e isso pode causar uma série de sintomas como dor de cabeça, fadiga, náusea, tontura, falta de ar e palpitação. É o famoso mal de altitude ou soroche, tão temido por pessoas que moram ao nível do mar e viajam para lugares de grandes altitudes. Esse e o frio eram meus maiores medos enquanto planejava o mochilão. Imagina, uma viagem planejada com tanto cuidado, com tanto tempo de antecedência e a gente passar mal?
Não sabíamos como o nosso organismo iria reagir à altitude. Então seguimos todas as recomendações que lemos e resolvemos pegar bem leve no primeiro dia. Não fizemos nenhuma atividade que exigisse muito da gente (além de subir as escadas que levavam ao loki hostel - não tinha jeito, né?) e procuramos ingerir bastante líquido e alimentos leves. Deu tudo certo! Apenas uma grande falta de ar suportável subindo as escadas para o Loki (nesse caso, fizemos muitas paradas até chegar lá), mas nada de dor de cabeça, tontura e enjoo. Lembrando que a pessoa aqui que vos fala, na época era super sedentária, não sei se hoje as escadas seriam tão sofridas...
Assim, aproveitamos para sentir a cidade, mais especificamente, a Plaza de Armas. Ficamos sentados lá observando a profusão de pessoas que circulavam para cima e para baixo, Cusquenhos oferecendo passeios e souvenir aos turistas, turistas buscando a melhor posição para fotografar a Catedral, as cores da bandeira do Peru contrastando com as construções de tons marrons em torno da praça e com o céu azul. Haviam muitas bandeiras do Peru espalhadas pela praça e pelas portas das casas na cidade. Isso porque no mês de Julho ocorre a "fiestas patrias", comemoração da Independência do País e ao que parece as pessoas são bem patriotas (nunca vi aqui em Belém bandeiras do Brasil na porta das casas na época do 7 de setembro...só em copa do mundo mesmo).
E nesse período a cidade está mais cheia ainda porque além dos milhares de turistas, há as férias escolares e, tem o feriado nacional, nos dias 28 e 29 de julho, no qual os peruanos aproveitam para passear também.
Mas não podíamos passar o dia inteiro sem fazer nada, tínhamos algumas obrigações para cumprir: agendar nossos passeios para o dia seguinte, comprar o boleto turístico que dá acesso às atrações turísticas na cidade e nos seus arredores e ainda buscar nosso ingresso para Machu Picchu e Huaynna Picchu, que compramos previamente no site ainda aqui no Brasil.
Em relação ao Boleto turístico, você precisa comprar em Cusco antes de sair para turistar por lá, pois se não o tiver, não tem como comprar na porta de entrada dos lugares e não vai poder entrar de jeito nenhum (não diga que não avisei!). Ele pode ser adquirido no escritório de informações turísticas - COSITUC, bem pertinho da Plaza de Armas - na Avenida Sol, custa 130 soles (aproximadamente 110 reais - câmbio janeiro 2014) e dá direito a entrar em 16 atrações, que você pode ir ou não, por 10 dias consecutivos. Esse boleto é intransferível e cada local só pode ser visitado uma vez, ou seja, no momento que você entra em um sítio, um furo é feito sobre o nome do local, o que indica que você já foi lá. Se quiser voltar nesse local especificamente, vai ter que comprar outro boleto. O Gleiber do blog Andarilhos do mundo escreveu um post muito bom explicando o boleto turístico de Cuzco.
Para fazer os passeios, você tem a opção de contratar as milhares de vans e empresas turísticas que tem a cada metro no centro histórico (Cusco vai muito além da Plaza de Armas e seus arredores, mas provavelmente você vai se hospedar por lá) ou contratar um motorista particular, que sai bem mais caro (não tão caro se o valor for dividido por 4 pessoas, que é a capacidade do carro, além do motorista), mas com a vantagem que você é o "Senhor do seu tempo" e isso para a gente é muito importante, pois odiamos entrar em um ônibus, descer 15 minutos em um ponto turístico, fotografar, entrar no ônibus, descer mais a frente por mais 15 minutos e assim sucessivamente o dia inteiro. Então optamos pelo motorista particular e não nos arrependemos. Talvez tenhamos perdido algumas curiosidades, deixado de observar alguns pontos, mas nada que ler muito sobre o assunto antes e depois de viajar não resolva - para mim isso é uma diversão!
Conhecemos um senhor muito simpático e um pouco insistente próximo à Plaza de armas que era motorista credenciado, o Ariel, e depois de muita conversa e negociação fechamos o city tour com ele para o dia seguinte. Ele até tentou nos convencer a fazer o passeio naquela tarde, mas não aceitamos. Além do risco do esforço, por mais que o city tour fosse bem light, tinha a questão da luz. Em julho, como é inverno, o sol se põe próximo às 18:00 horas e já tínhamos decidido que faríamos os passeios preferencialmente pela manhã para não correr o risco de chegar em um lugar já com a luz se acabando, o que prejudicaria à visitação. Além do mais estávamos mortos da viagem, desde que chegamos em Cusco, ainda não tínhamos dormido. E uma última dica de ouro: por mais constrangedor que seja para você, peça para ver o credenciamento da pessoa que está lhe oferendo o passeio, para ter o mínimo de garantia que é confiável e não entrar em roubada - o que é muito fácil de acontecer, principalmente quando se quer economizar.
Resumidamente, o primeiro dia foi basicamente para nos aclimatar, organizar nossos passeios e conhecer a Plaza de Armas. Nesse dia, almoçamos no Bembos, uma espécie de Mac Donalds Local, dormimos um pouquinho a tarde para repor as energias, jantamos uma comida deliciosa no bairro de San Blass e encerramos a noite com um delicioso Starbucks, próximo à Plaza de armas.
Esse dia foi muito especial, pois apesar do cansaço, tinha um gostinho de vitória. Nunca tínhamos ultrapassado a nossa zona de conforto dessa forma e conseguimos chegar à Cusco da maneira mais louca possível, foi uma experiência e tanto! Ainda pudemos ter muitos pequenos momentos de prazer que, apesar de termos todos os dias, não damos importância, pois faz parte da nossa rotina: chegar no quarto, tirar as botas e a meia do pé, tomar um banho quentinho e depois deitar numa cama macia. Gente, não tem preço!

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