25.12.13

Um dia comum: o nosso Natal em Montevidéu

Ano passado para comemorar nossas bodas de papel viajamos pela primeira vez para o Uruguai e foi bem na época do natal. Quando chegamos ao País, não nos sentimos envolvidos pelo clima natalino, aliás, o único clima que nos envolveu foi o seco e quente do verão na cidade. Observamos algumas decorações discretas, algumas barraquinhas vendendo bombinhas e muitas pessoas soltando essas bombinhas nas ruas. Parecia até a época de festa junina aqui em Belém. O que nós não entendíamos é que aquilo fazia parte das festas de natal. 
Não somos o exemplo de casal para indicar baladas e festas bombantes. Então não se espelhem na gente sobre opiniões sobre natal ou qualquer outra festa comemorativa em terras estrangeiras, nem mesmo na nossa cidade. Realmente não somos exemplo. Somos calmos o suficiente para passar uma noite toda conversando, rindo ou assistindo à algum programa em casa. Priorizamos família, mesmo que muitas vezes seja nossa família de DOIS, e os bons momentos que podemos passar juntos (ou acompanhados).
Na época do natal, ficamos hospedados em Punta Caretas, uma parte mais nova (e ao meu parecer mais afastada do borburinho - mas não muito) da Rambla, não tão badalada como Pocitos e Buceo, por exemplo.
E no dia 24 de dezembro, nosso dia foi bem comum. Comum e feliz. Nada de compras desenfreadas em cima da hora, nada de filas para entrar nos shoppings, para pagar as compras, para pagar o estacionamento, para sair do shopping. Passeamos calmamente por alguns pontos da cidade, o quanto pudemos aguentar do calor, pegamos bicicletas emprestadas no nosso hotel e pedalamos por toda a rambla, de Punta caretas à Buceo, tomamos banho no Rio Prata (acho que em Pocitos, não lembro bem) e ficamos lá observando o movimento das famílias que ficaram na cidade. Achamos calmo e agradável. 
Quando retornamos ao Hotel, vimos que nosso ar-condicionado tinha queimado e não conseguiram consertar. Fomos transferidos para um quarto melhor, um presente de natal com uma bela vista para a rambla e o Rio Prata, sem custo adicional nenhum. Ainda ganhamos um panetone!
Em certa hora desse dia comum, como qualquer outro dia, percebemos que a noite estava perto de chegar e que não tínhamos planos para a ceia de natal. Fomos nos informar na recepção do hotel da possibilidade do jantar da ceia de natal, 300 dólares para o casal, no thanks (nem que quiséssemos, estava lotado). O recepcionista solicito ainda procurou ligar para outros hotéis, mas tudo nessa faixa de preço. Não aceitamos. Subimos ao quarto, tomamos banho, vestimos nossa melhor roupa (para o natal) e saímos aleatoriamente pela rua. Inicialmente queríamos um lugar para jantar, mas como se fazia escasso, tudo fechado, nos contentamos em achar um mercadinho, algum lugar que vendesse qualquer coisa para comer.  Naquele momento, só queríamos ter o que comer. E em Pocitos achamos uma padaria aberta. Paramos lá e assim compramos a nossa ceia de natal: pão, queijo, presunto, castanhas, nozes e refrigerante. Voltamos felizes para o hotel, seria nosso primeiro natal em outro país e juntos, como uma família. 
Quando chegamos na recepção, o recepcionista, em tom de brincadeira  disse "então vão comer no quarto!?". Por mais que tentássemos esconder as sacolinhas de compras, não pudemos escapar do olhar atento da pessoa que tanto se esforçou para nos conseguir um lugar para ceiar naquela noite de véspera de natal. Me senti tão pobre nessa hora, mas não senti maldade no comentário. Em seguida ele falou que às 00:00 horas o hotel faria uma queima de fogos na Rambla e nos convidou para descer e confraternizar com eles (Uruguaios são lindos e fofos).
Passamos a noite no quarto novo, com a vista maravilhosa para a Rambla, ceiamos nosso delicioso sanduba de queijo e presunto, comemos castanhas, nozes e o panetone oferecido pelo hotel, conversamos, rimos muito relembrando da noite e em especial da cena com o recepcionista, assistimos Dária - que parecia ser o único programa que passava na MTV de Montevidéu - e quando soou 00:00hs ouvimos o som dos primeiros fogos de artifício. Ficamos lá do janelão do quarto contemplando a cena que se estendia ao longo de toda a rambla. Pessoas desciam de seus apartamentos, de seus hotéis e iam ocupando o calçadão, abraçavam-se, beijavam-se, estavam em harmonia. E o céu, até onde nossa vista alcançava, estava repleto de luzes coloridas, que ascendiam e apagavam, uma explosão de cores, todas as cores! Mas não esperem nem 1/100 da multidão que tem no Rio de Janeiro nas queimas de fogos do Ano novo, lá em Montevidéu tudo é muito tranquilo e perfeito para pessoas como a gente, que apesar de gostar de um bom show de rock, abomina aglomerados humanos. Não teve trocas de presentes, não teve ostentação, não teve peru, tender, farofa, rabanada, bacalhau, não teve árvore de natal... Mas teve um dos melhores momentos, daqueles momentos que você sabe que não precisa de muito para ser feliz, além de uma boa companhia para trocar umas ideias e muitas risadas. Um grande amor. Simplicidade. Talvez seja isso o verdadeiro espírito do natal. Talvez seja disso que precisemos mais em nossas vidas.

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