1.12.13

Eu assisti à um show do Blur!

Blur em Montevidéu
Escrever este post ao mesmo tempo que é fácil, é muito difícil. Isso porque estou falando da realização de um sonho e não são todos os dias que se realizam sonhos, ainda mais um que estava guardado no fundo Baú e nem se esperava que fosse realizar.
Pois bem, 14 anos depois aconteceu! E ainda estou em êxtase (sim, pareço uma fã do Justin Bieber de 16 anos. Nada contra as fãs do Justin, mas no auge dos 27 anos de um indivíduo, talvez se esperasse uma atitude mais "madura") lembrando daquela noite fria do dia 04 de novembro de 2013, em Montevidéu.
Eu já contei aqui porque escolhemos ir assistir à esse show no paisito e todas as minhas expectativas foram superadas em relação ao que esperava. Acho que a experiência de shows em São Paulo, com multidão e enormes filas de certa forma nos condicionaram a chegar cedo no local do show (tudo para pegar um excelente lugar), mas nem precisava. No Uruguai, foi muito tranquilo. Inclusive, os seguranças não entendiam o porquê de ter gente chegando tão cedo, se o show só seria as 22:00 horas.

De qualquer forma, chegamos em frente ao Teatro Verano, localizado na Rambla, próximo ao Parque Rodó, abastecidos de água e lanche para uma semana, às 15:00 horas. Apesar de os portões só abririam às 18:00 horas, estávamos com medo de encontrar filas enormes (e ficar para trás) e também precisávamos pegar nossos ingressos.
Um parêntese: no Uruguai, pelo menos nesse festival, o esquema foi bem diferente do que encontramos no Brasil. Fizemos a compra dos ingressos pelo site, mas só havia a opção de pegá-los no dia e no local do show. Os ingressos foram entregues uma hora antes da abertura dos portões e estavam todos em envelopes, com a identificação da pessoa que comprou, tudo bem manual.
E lembra que eu falei que o povo do Uruguai é amigável? No momento que chegamos, só havia 6 pessoas na fila, mas eles são tão amigáveis, mas tão amigáveis, que a cada amigo que chegava, eles chamavam para entrar na fila com eles. Conclusão: 6 pessoas na nossa frente, foram transformadas em quase 30! Sempre ia chegando um amigo do amigo que já tinha "furado" a fila e ia entrando lá na moral. Mas fazer o quê? Estávamos no país deles, nós éramos os intrusos.
Blur Montevidéu
momentos de tensão e felicidade na fila.
Esses momentos na fila foram uma mistura de tensão, ansiedade, nervosismo "será que vai dar certo? será que eles estão mesmo aqui? será que vamos conseguir pegar os ingressos? talvez tenha dado algum problema no sistema e os nossos podem não estar lá... vou chorar!" (fã neurótica hahaha), com chateação das pessoas que estavam furando fila descaradamente e com felicidade que não cabia em mim. Nessas 3 horas, que duraram uma eternidade, detonamos nosso lanche (lá também eles não deixam entrar nem com comida, nem com água), conversamos com um casal gente fina de Porto Alegre, que tiveram a mesma ideia que a gente e demos entrevista para a Revista Noize (saímos como fãs que resolveram percorrer quase 5000 kms para assistir a um show da banda).
O portão abriu com quase uma hora de atraso e fomos correndo sem necessidade em direção ao nosso setor "Meu Deus, está acontecendo!"... fã tem dessas coisas... Não ficamos na pista baixa (a mais na frente), mas conseguimos sentar na primeira fila da pista superior. Lá dentro foi bem tranquilo. Não acreditava, que mesmo na pista mais distante conseguiria ver tão de perto o Damon, Alex, Dave e Grahan. Acho que nem na Europa conseguiria ver assim. 
Teatro Verano Montrevidéu
Teatro Verano, Montevidéu - Foto tirada da Pista alta (viu como nem ficamos longe?)

Esperamos o show sentadinhos e confortáveis no banco do anfiteatro. O teatro é muito bacana. Vendia lanche a preço acessível - levando em consideração que era o único lugar que poderia fornecer lanche (hambúrguer com carne enorme, nas proporções das carnes do Uruguai + copão de 500 ml de pepsi por R$ 16 reais) e tinha banheiros de verdade e limpos. Nada daquela coisa nojenta de banheiros químicos.
Às 20:00 horas começou o show de uma banda local, Sonia, mas para falar a verdade, nem lembro muito bem do som deles. Era ansiedade demais, minha gente! Às 20:30 o show encerrou e observamos as mudanças no palco, começaram a descobrir os instrumentos e logo vimos a bateria do Dave e o Piano do Damon ". Iam tocar The Universal! Eu ia escutar the Universal ao vivo!!!!". 
Fazia um frio de rachar... Eu, Fernanda e Igor não estávamos preparados para o clima do Ururguai, subestimamos o climatempo e achávamos que um casaquinho bobo poderia nos proteger do frio. Ledo engano...Quando o sol se pôs, pouco depois das 20:00 horas, esfriou mais ainda. Foram momentos tensos e a gente mal se mexia, tentando colocar as mãos, rosto e todas as partes desprotegidas do corpo para dentro do casaco, enquanto observávamos algumas garotas passando de short jeans, meia calça fina e camiseta sambando na cara do frio (e na nossa também!).
Às 22:00 horas, as luzes se apagam, um foco no palco e começa a tocar Theme From Retro, do álbum homônimo Blur, só para aumentar mais ainda os meus batimentos cardíacos (sempre senti uma tensão ao ouvir essa música... meio sombria...) estava prestes a acontece... Então eles entram. Damon super animado e saltitante cumprimenta a galera e começa a jogar água nas pessoas (pohhhha Damon, tá frio!) e começam com o Clássico Girls and Boys, levantando a multidão. Eles estavam lá! Meu Deus, está acontecendo!!!!!!
Blur América do Sul
foto de celular não colabora em nada, né?

Sabe dessas coisas que unem irmãs? Que o mundo pode estar acabando, diferença de ideias, pensamentos, modo de vida, mas quando se fala do Blur, as coisas ficam em perfeita sintonia? E rende assunto por horas... Eu e Fernanda pulávamos tanto e cantávamos junto com eles TODAS as músicas (não só Song 2, Tender, Coffee and Tv  e o refrão de Beetlubum que são as que todo mundo sabe cantar). E aquele frio paralisante momentos antes do show, foi se transformando em calor. Um calor tão grande que lá pela metade do show, já estávamos só de camiseta e suadas. Parecia que éramos as mais animadas da plateia, que só a gente sabia cantar as músicas e que nós éramos as mais merecedoras de estar no show do Blur. Lógico que não é bem assim, que tinha muita gente animada (embora tenhamos achado o povo Uruguaio mais contido), muita gente que se esforçou para estar lá (até um grupo de amigos de Porto alegre que viajou 800km  de carro com a caixinha de leite do Blur, levando-a para todos os pontos turísticos de Montevidéu) e que era tão fã quanto a gente, mas sabe como é.... deixa-me aqui com meus delírios de tiete de morrer.
O tempo passou tão rápido, eu e Igor cantamos juntos e nos abraçamos quando tocou "Coffee and TV", eu e Fernanda quase choramos quando vimos o Damon descendo do palco e indo cantar "Country house" no meio da galera por a gente não estar lá e quando tocou "End of Century" bateu uma angústia, sabia que estava perto do fim. Logo em seguida, "This is a Low" e eles se despedem. Ráhhh, mas ainda faltava "The Universal" e "Song 2". Foi aquela saída pra fazer charminho que todo mundo faz e aí a galera tinha que bater palmas, gritar, pedir bis. Que povo mais desanimado! "Galera, chamem o Blur de volta!". Nas minhas alucinações, só a gente queria que eles voltassem, parecia que ninguém estava se esforçando o suficiente. "Peçam mais forte!!!" E se eles não voltarem?

Eis que eles voltam, com a única música inédita do show "Under the Westway" (2012), foi o momento que relaxamos e preparamos nossas gargantas para as próximas: "For Tomorrow", "The universal" e finalmente, "Song 2". E nesse momento, cantamos com mais energia ainda, como se quiséssemos que eles nos recompensassem pelo nosso esforço e ficassem lá por mais umas duas ou três horas, mas infelizmente, o show chegou ao fim. Sentei no banco da arquibancada e fiquei lá paralisada, vendo retirarem as coisas do palco, as pessoas caminhando em direção à porta de saída, tentando elaborar tudo o que tinha acontecido e pensando em como tinha gente que gostava do Blur, nunca tinha visto tantos fãs do Blur reunido, nem sequer pessoas que os conheciam sem a minha influência (hehehe), aí o Igor começou a chamar, dizendo que a gente ia ser pisoteados se não saíssemos de lá do meio do caminho, então nos juntamos à multidão e fomos embora, suados, roucos e felizes.
Confesso que sentia medo do que aconteceria depois desse show. Pensava que esse era meu sonho master blaster hiper mega ultra e que ficaria um "vazio de sonhos" na minha vida depois disso. Com o que eu iria sonhar se o sonho mais improvável se realizou? (esse e aquele de dar um beijo na Bochecha do Jostein Gaarder, em 2010, na Bienal do Livro, em São Paulo). Mas, incrivelmente o sentimento que ficou foi totalmente ao contrário. Enquanto eu caminhava de volta para o hotel, relembrando todo o ocorrido, não só naquela noite, mas desde a primeira vez que o Blur veio ao Brasil, em 1999 e que eu não pude ir, até saber que eles fariam shows na América do Sul agora em 2013, de todos os preparativos da viagem, do que eu trabalhei para ter as folgas para estar lá, da felicidade plena (leve e despreocupada) que tivemos naquela uma hora e meia, percebi que não estava vazia de sonhos e que viriam outros e que por mais impossíveis que parecessem, haveria uma possibilidade de serem realizados. 
Talvez, neste post eu tenha mostrado meu lado mais infantil e neurótico, talvez devesse sentir vergonha e apagá-lo, são só bobagens de uma garota (nem tão garota assim...) beirando os 30, que ama uma banda que ninguém tá muito aí. Mas não sinto vergonha, pois é a prova escrita de que eu tenho sentimentos e posso senti-los intensamente. É a prova que estou viva. É o meu testemunho que sonhos são possíveis de serem realizados e um lembrete para mim mesma, nas vezes que estiver desesperançosa ou pensando em desistir de algo, que sim, "it really really really could happen".

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