24.8.13

Restaurante Como água para chocolate em Santiago: Sou obrigado a ir?

Parece que um programa obrigatório para brasileiros quando vão à Santiago é ir jantar no famoso restaurante Como Água para Chocolate e nove em cada 10 blogs recomendam o lugar.
O restaurante fica localizado no badalado Bairro Bela Vista, onde a vida noturna é intensa, inclusive no meio da semana, e conseguir uma mesa para sentar não é para quem quer, mas sim para quem se esforça. Sim, porque o lugar é entupido de Brasileiros lotado e só aceita reservas até as 19:30, depois disso é uma questão de sorte chegar lá e ser logo direcionado à uma mesa para ser atendido. Inclusive segunda-feira, que foi o dia da semana que resolvemos ir conhecer o famosinho, tivemos que enfrentar uma longa fila de espera.
Até aí tudo bem, espera-se. O problema é que o restaurante não tem estrutura para recepcionar as pessoas que estão esperando pela mesa, não tem um bar e todo mundo fica ali na porta, plantado em pé, desviando de quem entra e sai e dos garçons que passam apressados a todo momento. Tudo fica um caos.
Então, ao ver essa cena, você pensa que o lugar realmente deve valer a pena, que será o jantar mais especial de toda a sua vida e escolhe um cantinho pra se acomodar e ficar seus 30, 60 minutos esperando seu doce nome ser chamado para ir sentar no paraíso e finalmente ser atendido do jeito que merece.
Depois que você senta, realmente o restaurante parece ser bem confortável e acolhedor, tem uma decoração antiguinha, bonita e até duas mesas em formato de cama (mas essas são para grupos de seis pessoas e dificilmente poderão ser ocupadas por um casal). Você abre o cardápio, leva um susto com o preço das coisas (mas tudo bem, será o jantar mais incrível da sua vida!), pede seu Carménère e começa a apreciar a música local(?). Estão tocando Roberto Carlos? E depois uma atrás da outra... Nesse momento você percebe que não só o cantor, mas todo o restaurante esta cantando as músicas brasileiras, levantam as mãozinhas para cima, batem palmas, e juro que vi uma lágrima de emoção rolando dos olhos de uma mulher. E ai você começa a prestar atenção que a língua “oficial” falada no restaurante é português. Sim, eu me arrisco a dizer que 90% das pessoas que frequentam o lugar são Brasileiros. E entramos em um ponto polêmico da postagem, pois para alguns sair do seu país, encontrar milhares de brasileiros, confraternizar é o auge da viagem, mas para outros, que deram uma escapada rapidinha de 3 dias do Brasil, que querem conhecer a cultura de outro país, a culinária, a música (sem passar por aqueles programas “pega turista”, onde vão te servir o jantar mais caro do mundo enquanto pessoas dançam com roupas típicas), a experiência não é válida. Então o restaurante pode te agradar ou não, dependendo da forma como você pensa.



 Em relação ao atendimento, sempre acho que isso é uma questão de sorte. Às vezes você pega um garçom atencioso e prestativo, que torna sua noite mágica e outras vezes, alguém que faz do seu jantar um inferno. Dessa vez tivemos a sorte de sermos atendidos por um garçom muito simpático e eficiente, que nos serviu maravilhosamente bem, deixando as melhores impressões. Porém, pudemos ver a noite desastrosa de um casal que estava sentado ao nosso lado. Eles chegaram antes da gente, não foram servidos com o "cubierto", as entradas que eles pediram chegaram junto com o nosso jantar e embora tenham pedido os pratos principais antes da gente, o jantar deles só chegou depois que tínhamos terminados o nosso e parece que ainda veio pedido trocado. O garçom que estava atendendo eles estava mais preocupado em paquerar as Brasileiras da mesa de trás da nossa que em prestar atenção nos pedidos... acredito que elas também devem ter saído satisfeitas, né?


A comida é gostosa, mas definitivamente não é “o jantar da sua vida”. Os pratos são individuais, servidos com uma boa apresentação e o preço médio por prato é 11000 pesos chilenos (em torno de R$55,00). Pedimos um prato de cordeiro (doce demais) e outro de Merluza (picante demais) e para sobremesa, escolhemos o delicioso Marquise de Chocolate, que consistia em chocolate belga com morangos (muitos!) e sorvete de maracujá (?). Não curti muito o sorvete, mas tenho água na boca só de lembrar do chocolate com os morangos.

Merluza a la Diabla


Cordero en aromas del bosque


Marquise de Chocolate

O jantar no “como água para chocolate” foi especial, mesmo porque fazer as coisas com a pessoa que você ama é sempre especial, independente de todos os perrengues, filas de espera, contra-tempos, peixe ultra picante e sorvete de maracujá, porém definitivamente, na nossa humilde opinião, não acreditamos que é um lugar obrigatório para ir em Santiago. Mas sempre é bom analisar os relatos de diferentes pessoas e ver se isso te agrada ou não.

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