13.8.12

O dia sem fim - ou como chegamos à Cuzco de Rio Branco por transporte alternativo - parte I

 Fonte: globo.com

Nossa jornada começou as oito e meia da manhã. Era para ter começado as sete e trinta, mas o motorista que contactamos - DEMÉCIO - Grave bem este nome e se pretendes ir ao Peru por Rio Branco, fuja desta pessoa! - para nos levar à Assis, chegou com quase uma hora de atraso. Sinal da pouca credibilidade dele? Não necessariamente. No momento consideramos algo normal, já que qualquer pessoa é passível de imprevistos.

Saímos de Rio Branco rumo à Assis, última cidade brasileira, fronteira com Iñapari, primeira cidade Peruana. Depois de aproximadamente 3 horas de viagem, chegamos á Brasiléia. Não entendemos porque o motorista não seguiu direto,
como fez quando passou pelos outros lugares. Ele ficou rodando na cidade e simplesmente parou em um ponto e desceu do carro sem nos dizer uma palavra. Neste lugar, estavam 3 homens, sendo que um deles usava jaqueta, óculos escuro e cobria o rosto.
Acho que nunca tive tanto medo da morte. Fiquei imaginando um milhão de coisas: que iam nos mandar descer do carro, tirar todo nosso dinheiro, roubar nossas mochilas, e até mesmo atirar em um por um pra vender nossos órgãos no mercado negro. Sei que isso parece drástico e exagerado aos extremos, mas o medo foi real e quando você sente medo, nem imagina as coisas que podem passar pela sua cabeça.

Ficamos lá, dentro do carro, aflitos, minutos pareciam horas, o taxista conversando com os homens e a gente sem entender nada. E por que aquele homem gordo de jaqueta não parava de cobrir o rosto? Foi quando o Demécio chegou para a gente e disse que não ia mais nos levar até Assis e que um deles iriam nos levar. Pediu para que pagássemos 200 reais para ele e o restante do combinado, seria pago para outra pessoa que nos levaria dali para a frente. Questionamos "não foi isso o combinado! Você falou que nos levaria direto por 280 reais". Ai ele falou que não compensava para ele aquela viagem e que o certo era lhe pagar 360 reais (porque ele buscava no aeroporto e deixava lá). Mas por que então não falou isso antes? Na certa não queria perder de jeito nenhum a corrida, mas que isso foi tamanha falta de profissionalismo e mal-caratismo, foi. Por isso volto a repetir: nunca peguem táxi em Rio Branco com este moço. Ainda nos falou que a culpa de tudo aquilo que estava acontecendo era nossa, pois isso que dava querer economizar (oi????). E o pior de tudo, foi que os homens diziam que não iriam fazer a viagem de jeito nenhum por 80 reais. Depois de clima tenso, discussão (#alouca - nunca façam isso porque a gente não sabe do que as pessoas são capaz, ainda mais as mal caráter), Demécio resmungando, disse que ia perder dinheiro mas que nos deixaria em Iñapari. Ele ficou resmungando e resmungando e resmungando....o pior de tudo foi que apesar de ter falado que iria continuar a viagem, continuou rodando por Brasiléia. Até que parou em outra rua - desta vez um ponto de táxi, desceu do carro mais uma vez sem falar nada e conversou com taxista, que disse que nos levaria à Iñapari por 80 reais. Tudo resolvido, o Demécio ainda deboxou da gente, falando que podíamos falar para Deus e o mundo o que aconteceu, que ele não ligava. Pagamos os 200 reais, com alívio no peito por ter se livrado dele e seguimos com o outro.

O clima já estava tenso, estávamos chateados e com medo e para completar a estrada que até ali estava um tapetinho, começou a ficar esburacada. Tínhamos mais uma hora e meia de viagem pela frente, de Brasiléia até Iñapari, uma looonga viagem. Em determinado momento, o taxista recebeu um telefonema e de repente parou o carro no meio da estrada e saiu, sem nos falar nada (ô povo que não se comunica!). Outro carro tinha parado atrás do carro que estávamos. Chegamos a pensar que dessa vez sim, íamos morrer. De repente tinham enviado um matador para se vingar do episódio anterior... Mas era só para entregar uma encomenda, algo dentro de uma caixinha branca. O taxista seguiu com a gente sem falar uma palavra e de repente, começou a sair da estrada e entrou num caminho de terra. Mais uma vez mãos tremendo e suor frio "vai ser agora!", pensei. Felizmente ele parou na frente de um galpão e entregou a tal caixinha Branca para uma pessoa e seguiu em frente, rumo a estrada asfaltada, sem dizer nada!

Pouco mais de uma hora e meia depois chegamos à fronteira do Brasil com Peru. Conseguimos vencer uma etapa! Passaporte de saída do Brasil carimbado (não demorou praticamente nada, pois só tinha a gente naquele momento lá), pisamos no lado Peruano e tinha uma condução lá esperando. Esta condução não estava necessariamente nos esperando, mas ele ficava lá para pegar pessoas que faziam justamente esse mesmo caminho que a gente. Pagamos o taxista Brasileiro e seguimos na van do Peruano. Ainda tínhamos que passar pela alfandega Peruana e fazer nossa primeira parada no Peru, para trocar nossos reales para soles e se desse, ainda almoçar.



                                                                  
                                   

Um comentário:

  1. Olá, amigo! Sou Acreano, natural de Rio Branco, e trabalho na biblioteca que visitaram durante a parada na capital, a biblioteca da floresta, fico feliz que tenham gostado! E, desde já, como bom cidadão acreano, peço perdão pelos imprevistos com os taxistas, infelizmente aqui também existe gente assim, todo lugar tem, né?! Mas, lhe garanto que a maioria são honestos, respeitosos e éticos. Uma pena que tenham caído na mão dos poucos. Tô gostando de todo o relato da viagem ao Peru, já conheço tudo isso! Mas sempre gosto de relembrar por meio da opinião de terceiros. Abraços e voltem novamente! Luan.

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